No próximo domingo, dia 25, teremos uma decisão que pode melhorar o nosso mercado. Mas, assim como aconteceu na mudança que vivemos após 2016, uma troca de governo não alterou as tendências do nosso mercado: ela acelerou as que já estavam em curso. Quem viveu essa época vai lembrar que, antes da virada, boa parte do mercado crescia pouco e sobrevivia aos tempos sombrios da era Dilma. Tínhamos poucas gestoras, poucas emissões e um mercado financeiro frágil.
Mas nessa época existia uma tendência começando, e uma empresa se destacava. A XP Investimentos talvez fosse a única empresa que despontava na Faria Lima, crescendo acima da média no mercado financeiro e dando início à onda de saída dos bancos que depois foi chamada de financial deepening.
E é importante analisarmos a possível troca de governo do próximo domingo da mesma forma que vivemos no passado. Mas com um detalhe: naquela época, o mercado global estava com ventos a favor; agora o cenário é diferente. Teremos, sim, oportunidade para acelerar receita e a transição de modelos, mas provavelmente não na mesma velocidade que vivemos em 2016.
Do outro lado da moeda, nos dias atuais a mudança das tendências acontece de forma mais rápida, seja pela velocidade com que as tendências são apresentadas e entendidas pelo público através das redes sociais, seja pela facilidade de implementação que a inteligência artificial criou, que parece ter encurtado esse tempo de forma significativa.
A prova de que o nosso mercado está encurtando o entendimento sobre novos ciclos de mudança está na virada fee based vs. comissionamento, ou assessoria vs. consultoria. No meio do ano passado, quando começamos a comunicar essa mudança, a maior parte do mercado torceu o nariz e duvidou que fosse realmente uma tendência. Escutamos de diretores de corretoras e bancos que ainda existia ceticismo sobre essa mudança.
Hoje, um ano depois, os mesmos executivos estão nos comunicando que o ceticismo parece ter acabado ou, pelo menos, que os planos de transição estão sendo criados. Esse prazo nos últimos ciclos era de aproximadamente 3-5 anos. E alguns números mostram por que isso aconteceu:
- A consultoria B2C da XP atingiu R$ 20 bilhões em poucos meses (deve chegar a R$ 200-300 bilhões em 2 a 3 anos);
- Cerca de 50% dos assessores possuem cliente em fee based;
- O mercado de assessoria continua em consolidação (menos empresas e menos profissionais a cada trimestre);
- O mercado de consultoria continua crescendo mais que o de assessoria.
Em paralelo, começa uma nova onda: as empresas de inteligência artificial B2C que prometem substituir parte ou a totalidade do trabalho do assessor de investimentos. Decade e Dylan tomaram a dianteira e estão se posicionando no início dessa tendência. É provável que nos próximos meses a gente tenha o lançamento de diversas outras soluções similares de XP, BTG, bancos e outras fintechs.
Voltando ao que aconteceu após 2017, você vai lembrar que nessa mesma época tivemos o mesmo movimento: diversas fintechs tentaram disruptar o mercado, atendendo o cliente 100% com tecnologia. Todas falharam. A AAWZ surgiu nessa mesma época, mas desde o primeiro dia o nosso foco foi outro: fornecer tecnologia para acelerar empresas e profissionais.
Mas será que a tecnologia evoluiu a ponto de conseguir substituir o atendimento do assessor ou do consultor de investimentos?
De forma resumida, eu ainda não acredito nisso. A IA está evoluindo muito rápido, mas ainda não tem integração com o mercado financeiro brasileiro. As instituições ainda não estão preparadas, ou não querem estar, para integrar e fornecer essas soluções a essas empresas. E a própria evolução da IA não parece ter chegado ao ponto de conseguir atender um cliente sozinha.
E é exatamente isso que eu estou indo entender nos EUA a partir de hoje (21). Nos próximos dias, vou visitar bancos, gestoras, RIAs e a maior feira do setor no mundo (o IMPACT, da Schwab).
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